Estudo apresenta características de frutas da região amazônica

Escrito por  Publicado em Variedades Sexta, 09 Junho 2017 23:22

Pesquisa foi realizada na Unesp de São José do Rio Preto

 

Fernanda Rosan Fortunato Seixas defendeu Tese de Doutorado intitulada "Frutas do bioma Amazônia: caracterização físico-química e efeito da ingestão sobre os parâmetros fisiológicos em ratos". A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência de Alimentos do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), Câmpus da Unesp em São José do Rio Preto.  

 

Resumo
A região amazônica apresenta uma grande diversidade frutífera, aproximadamente 200 espécies, destas majoritariamente prevalecem a escassez de dados técnicos científicos principalmente de caracterização química, potencial nutricional e de benefícios à saúde. Os objetivos deste trabalho foram avaliar as características físico-químicas da parte comestível das frutas de araçá-boi (Eugenia stipitata), abiu grande (Pouteria caimito), araticum (Annona crassiflora), biri-biri (Averrhoa bilimbi L.) e mangostão amarelo (Garcinia xanthochymus), em diferentes safras e os efeitos do consumo das polpas sobre os parâmetros hematológicos, metabólicos, de toxicidade hepática e renal em ratos. As polpas das frutas foram procedentes da cidade de Cacoal, RO (Amazônia Ocidental). Os parâmetros físico-químicos avaliados foram sólidos solúveis, acidez total titulável, pH, açúcares redutores, açúcares não redutores e totais, ácido ascórbico, umidade, cinzas, lipídios, proteína e cor.

 

Nos ensaios biológicos foram utilizados 60 ratos machos Wistar albinos, adultos, que receberam doses diárias de 0,3214 mL de polpa/100 g de peso corpóreo durante 30 dias (efeito sub-crônico) por intubação gástrica e após este período realizadas as análises de hematócrito total, leucócitos totais, glicemia, triacilglicerois e colesterol total, transaminase glutâmica oxalacética citoplasmática (TGO) e transaminase glutâmica pirúvica citoplasmática (TGP), uréia e creatina.

 

Os parâmetros físico-químicos do araçá-boi, abiu grande, araticum, biri-biri e mangostão amarelo diferiram entre as safras. A polpa de araçá-boi foi caracterizada de coloração amarelada e opaca, ácida, com alto teor de umidade e baixos teores de açúcares, sólidos solúveis, cinzas e lipídios, com presença de compostos fenólicos totais e atividade antioxidante. A ingestão desta polpa por ratos promoveu uma tendência à redução do colesterol e seu consumo da apresentou-se seguro com relação à fisiologia do organismo de mamíferos. A polpa de abiu grande foi caracterizada por cor amarelada e opaca, levemente ácida, com alto teor de açúcares e sólidos solúveis e baixo teor de lipídios, ácido ascórbico, proteína, compostos fenólicos totais e de atividade antioxidante total. Nos ensaios biológicos, foi observado que sua ingestão promoveu uma redução significativa dos leucócitos totais, sem ocasionar danos hepático e renal. A polpa de araticum foi caracterizada como de cor amarelada e opaca e ácida, com alto teor de açúcares e umidade e, baixo teor lipídico, protéico, de ácido ascórbico e maiores valores de compostos fenólicos totais e atividade antioxidante total quando comparado as outras polpas. A sua ingestão promoveu redução significativa de leucócitos e aumento dos triacilgliceróis e uma tendência a reduzir a glicemia e aumentar o hematócrito e colesterol em ratos. A polpa de biri-biri foi caracterizada com cor esverdeada e opaca, com baixo teor de acidez, lipídios, proteína e açúcares. Apresentou baixo teor de compostos fenólicos e atividade antioxidante. Sua ingestão promoveu um aumento significativo de TGO, ocasionando danos hepáticos e indícios de danos renais em ratos, pela tendência ao aumento da uréia, não sendo seguro seu consumo principalmente por nefropatas. A polpa de mangostão amarelo foi caracterizada por cor amarelada e opaca, com baixo teor de acidez, teor de lipídios e proteína e, alto teor de umidade. A polpa apresentou teores médios de compostos fenólicos totais e atividade antioxidante. Sua ingestão não apresentou alterações significativas nas análises bioquímicas realizadas neste estudo.

 

Comissão Examinadora
Prof.(a). Dr.(a). Natalia Soares Janzantti (Orientadora) – Unesp / Câmpus de São José do Rio Preto
Prof.(a). Dr.(a). Ellen Silva Lago Vanzela – Unesp / Câmpus de São José do Rio Preto
Prof.(a). Dr.(a). Andrea Carla da Silva Barretto – Unesp / Câmpus de São José do Rio Preto
Prof.(a). Dr.(a). Teresa Cristina Bolzan Quaioti – Secretaria da Saúde do Município de Itajobi / SP
Prof.(a). Dr.(a). Agdamar Affini Suffredini – Centro Universitário de Rio Preto

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